Se você tem poucos dias na Espanha, provavelmente está diante de uma dúvida comum entre os viajantes: afinal, Barcelona ou Madrid, qual escolher?
A resposta depende muito do seu estilo de viagem. Madrid é mais monumental e elegante, marcada pelos grandes museus, pela história e por uma intensa vida urbana. Barcelona tem uma identidade completamente diferente: a arquitetura de Gaudí, a Sagrada Família, o Park Güell e os edifícios modernistas transformam a cidade praticamente em um museu a céu aberto. Some a isso o Mediterrâneo, as praias e um estilo de vida mais descontraído e você terá duas experiências bastante distintas dentro do mesmo país. Temos guias completos para você montar sua viagem dia a dia com rotas pelo google mapas, links de ingressos de passeios e tudo que você precisa para Madrid e Barcelona em www.passospelomundo.com.br.
Em relação ao custo da viagem, Madrid tende a oferecer um pouco mais de flexibilidade, especialmente na hospedagem. Barcelona costuma ficar mais cara nas regiões turísticas e durante o verão, quando a procura aumenta bastante. As duas cidades têm excelentes redes de metrô e ônibus e são fáceis de explorar por conta própria.
O clima também é diferente. Barcelona tem forte influência mediterrânea, com invernos mais amenos e verões quentes. Madrid, localizada no interior do país, apresenta temperaturas mais extremas: os verões podem ser muito quentes e os invernos, bem mais frios.
Minha dica? Se for sua primeira viagem à Espanha e você tiver tempo, não escolha. Conheça as duas. Barcelona e Madrid não competem entre si: elas revelam faces completamente diferentes da Espanha.
E talvez a melhor maneira de explicar essa diferença seja contando como conheci cada uma delas.
Minha primeira vez em Barcelona
Estávamos em Aix-en-Provence, no sul da França, e seguiríamos de trem para Barcelona. Uma greve dos ferroviários, porém, mudou nossos planos. Tivemos que ir de ônibus e uma viagem que levaria cerca de quatro horas acabou consumindo praticamente o dia inteiro, com inúmeras paradas pelo caminho.
Depois de ouvirmos grosserias de policiais franceses, que nos chamaram de desinformadas por não sabermos da greve, tivemos uma recepção completamente diferente na capital da Catalunha.
Um senhor desconhecido se ofereceu para nos ajudar e caminhou conosco da rodoviária até o hotel, atravessando Las Ramblas enquanto puxávamos nossas malas. No caminho, contou toda a sua história. Sua esposa e seu único filho haviam falecido e ele gostava de conversar com turistas para não se sentir sozinho.
Foi uma daquelas experiências inesperadas que acabam se tornando parte da memória de uma viagem.
Também havíamos deixado para trás a tranquilidade do sul da França em pleno janeiro e chegamos a uma Barcelona um pouco mais quente e muito mais agitada.
Las Ramblas foi nosso primeiro contato com a cidade. Restaurantes, bares, cafés, lojas, prédios históricos, artistas de rua, bancas de flores e souvenires disputavam espaço com uma multidão de turistas caminhando pelo calçadão central.
Naquela primeira noite, sentamos em um restaurante simples próximo ao hotel, indicado pelo recepcionista. Pedimos paella, crema catalana de sobremesa e, claro, sangria para acompanhar.
Depois dos preços do sul da França, tivemos outra surpresa: a refeição custou praticamente a metade do que pagaríamos por apenas um prato principal por lá. Imagina se não amamos Barcelona logo de cara?
Nos dias seguintes, vieram muitos frutos do mar, tão presentes na gastronomia local, com destaque para os deliciosos mexilhões servidos como entrada.
Barcelona: uma cidade para descobrir caminhando
No dia seguinte, percebemos outra característica que adoro em Barcelona: é uma cidade deliciosa para explorar a pé.
Grande parte da zona histórica é perfeitamente caminhável. De Las Ramblas, você entra no Bairro Gótico e, de lá, chega a El Born quase sem perceber. Há tantos detalhes, praças, ruelas e edifícios interessantes pelo caminho que até se perder pode render um ótimo passeio.
Tivemos ainda a sorte de estar acompanhadas por um amigo que morava havia anos na cidade. Ele nos levou para descobrir lugares que provavelmente não encontraríamos sozinhas. No fim do dia, o aplicativo mostrou o resultado: havíamos caminhado cerca de 18 quilômetros.
Nada melhor do que conhecer os recantos de uma cidade com alguém que vive nela.
A Barcelona de Gaudí
No terceiro dia, nos dedicamos a conhecer algumas das principais obras do arquiteto catalão Antoni Gaudí: Park Güell, Casa Milà, Casa Batlló e Sagrada Família.
É praticamente impossível falar de Barcelona sem falar de Gaudí. Inspirado pelas formas da natureza, o arquiteto desenvolveu uma linguagem tão particular que suas obras se tornaram parte da própria identidade visual da cidade.
A Casa Batlló é especialmente interessante para compreender seu trabalho. Formas orgânicas, curvas, cores e soluções arquitetônicas inesperadas ajudam a entender por que sua obra ultrapassou os limites do modernismo catalão.
E então chegamos à Sagrada Família.
O templo começou a ser construído em 1882, e Gaudí assumiu o projeto no ano seguinte. O arquiteto dedicou grande parte da vida à obra e, nos últimos anos, trabalhou quase exclusivamente nela. Morreu em 1926, depois de ser atropelado por um bonde, sem ver sua grande criação concluída.
Mais de um século depois do início da construção, a Sagrada Família continua sendo um dos grandes símbolos de Barcelona e uma das atrações mais visitadas da Espanha.
A presença de Gaudí é uma das grandes diferenças entre Barcelona e Madrid. Barcelona tem uma identidade arquitetônica que você reconhece imediatamente.
Barcelona lembra o Rio e Madrid, São Paulo?
Guardadas as devidas proporções, costumo fazer uma comparação que ajuda o brasileiro a visualizar um pouco as diferenças.
Barcelona lembra o Rio de Janeiro pela relação com o mar, pelo clima mais descontraído e pela mistura entre cidade, arquitetura e praia.
Madrid se aproxima mais de São Paulo pelo ritmo urbano, pela dimensão, pela intensa vida cultural e pela quantidade de programas disponíveis praticamente a qualquer hora.
É apenas uma analogia de atmosfera, claro, mas ajuda a explicar por que as duas cidades proporcionam experiências tão diferentes.
Minha primeira vez em Madrid
Minha história com Madrid começou muito antes da minha primeira viagem a Barcelona.
Estive na capital espanhola na primeira vez que saí do Brasil, há 18 anos, quando fiz um intercâmbio na Inglaterra. Viajar sempre foi uma paixão e, desde muito jovem, eu economizava sempre que podia para conhecer novos lugares.
Na escola inglesa, minha melhor amiga era uma espanhola chamada Maria. Quando terminamos o intercâmbio, fui visitar um casal de amigos que morava em Portugal e, depois, segui para Madrid a convite dela.
Duas coisas me impactaram imediatamente.
A primeira foi a velocidade com que os espanhóis falavam. Eu havia estudado espanhol durante um ano antes da viagem e, ainda assim, parecia não entender quase nada.
Implorava para conversarmos em inglês.
Depois de uma semana em Madrid, porém, já conseguia conversar tranquilamente em espanhol. É impressionante como nosso ouvido se adapta quando estamos realmente imersos em outro idioma e outra cultura.
A segunda coisa que me surpreendeu foi a disposição dos madrilenhos para aproveitar a noite.
Primeiro fomos a um bar comer tapas e jamón. Depois pegamos o metrô para outro lugar, onde havia karaokê, com direito até a música brasileira, e terminamos a madrugada em uma boate.
No fim da noite, exausta, entendi por que Madrid tem fama de ser uma cidade que nunca dorme.
O que esperar de Madrid
Madrid é a capital e a maior cidade da Espanha e tem aquela atmosfera de grande capital europeia: avenidas movimentadas, praças monumentais, parques, palácios e alguns dos museus mais importantes do mundo.
Quem gosta de arte e história provavelmente encontrará mais motivos para passar alguns dias por aqui.
O Museo del Prado é uma das grandes referências mundiais em arte europeia. O Palácio Real impressiona pela monumentalidade, enquanto a Plaza Mayor concentra parte do movimento turístico do centro histórico.
Outro lugar que considero imperdível é o Parque del Retiro, um enorme espaço verde frequentado tanto por turistas quanto pelos próprios madrilenhos para caminhar, praticar exercícios, fazer piqueniques ou simplesmente descansar.
Madrid também é uma cidade para ser vivida. Sentar em um bar, pedir algumas tapas, caminhar pelas praças e observar o movimento faz parte da experiência tanto quanto visitar seus monumentos.
E a gastronomia?
Aqui também encontramos diferenças interessantes.
Em Madrid, a gastronomia está muito ligada à tradição castelhana. Entre os clássicos estão o cocido madrileño, o bocadillo de calamares, o jamón e, claro, a cultura das tapas.
Barcelona apresenta uma culinária com forte identidade catalã e influência mediterrânea. Peixes e frutos do mar aparecem com frequência, assim como o pan con tomate, além de pratos que refletem a proximidade com o Mediterrâneo e as características próprias da Catalunha.
Não existe vencedora nesse quesito. Depende muito do seu gosto — e experimentar a gastronomia das duas é mais um bom motivo para combiná-las na mesma viagem.
Barcelona ou Madrid: qual é mais barata?
Os preços variam muito de acordo com a época da viagem, mas Madrid costuma permitir um pouco mais de flexibilidade na hospedagem.
Barcelona sofre uma enorme pressão turística, principalmente durante o verão, e os hotéis nas regiões mais procuradas podem ficar bastante caros.
Nas duas cidades, entretanto, é possível economizar escolhendo hospedagens um pouco afastadas das principais atrações, desde que próximas ao metrô.
Alimentação também pode variar bastante. Fugir dos restaurantes localizados exatamente ao lado das atrações turísticas costuma fazer uma diferença considerável no orçamento.
Quantos dias ficar em Barcelona e Madrid?
Para uma primeira viagem, eu reservaria pelo menos três dias inteiros para cada cidade.
Com quatro ou cinco dias, naturalmente, você consegue conhecer tudo com mais calma, explorar bairros menos turísticos e aproveitar melhor a gastronomia e a vida local.
E existe uma vantagem: Madrid e Barcelona são conectadas por trem de alta velocidade, o que torna perfeitamente possível incluir as duas no mesmo roteiro sem precisar pegar avião.
Por isso, se você tiver cerca de uma semana disponível exclusivamente para essas duas cidades, combinar Madrid e Barcelona é uma excelente opção.
Afinal, Barcelona ou Madrid?
Não existe uma cidade melhor do que a outra. Existe aquela que combina mais com o tipo de viagem que você deseja fazer.
Escolha Barcelona se você procura arquitetura diferente, Gaudí, praia, clima mediterrâneo, frutos do mar e uma atmosfera mais descontraída.
Escolha Madrid se prefere grandes museus, história, monumentos, parques, vida urbana e uma intensa programação cultural e noturna.
Agora, se tiver tempo, minha recomendação é outra: não escolha.
Conheça as duas.
Uma boa estratégia é chegar à Espanha por uma delas e voltar ao Brasil pela outra, aproveitando o intervalo para conhecer outros destinos espanhóis de trem ou de carro.
Barcelona e Madrid não competem entre si. Pelo contrário: juntas, ajudam a mostrar como a Espanha pode ser diversa e provavelmente você terminará a viagem com uma favorita. Ou, como aconteceu comigo, com bons motivos para querer voltar às duas.