Qual a melhor estratégia de conhecer várias cidades na Europa? A dica é tentar fazer o máximo possível de trem porque perde-se muito tempo com deslocamentos a aeroportos, que geralmente ficam muito longe do centro da cidade. Estações de trem sempre estão no centro e há diversas opções de hospedagem em hotéis nas proximidades. Vai viajar para a Itália? Baixe nosso guia completo por esse país incrível: www.passospelomundo.com.br

Sempre sonhei em conhecer Paris e o norte da Itália, então resolvi juntar os destinos em uma viagem só. De Paris, pegamos um tem para Lyon, no sul da França. Nos hospedamos em um hotel perto da estação de trem e passamos um dia na cidade, considerada a capital da gastronomia francesa. Seguimos para Turin, que entrou para a rota somente porque estava no meio do caminho entre Lyon e Florença, o destino que mais nos interessava na viagem.

Mas Turim foi uma grata surpresa! Capital de Piedmont, no norte de Itália, é conhecida pela sua arquitetura e gastronomia requintadas. Os Alpes elevam-se a noroeste da cidade. Imponentes edifícios de estilo barroco e cafés antigos estão em todos os lugares. Mas fique atento para que não deixe de ver o pináculo elevado da Mole Antonelliana, que é símbolo de Turim e que alberga o interativo Museu Nacional do Cinema. 

Sob o sol da Toscana

Desde que quando assisti a esse filme, fiquei com vontade de conhecer essa região italiana. Florença é a capital e que deve ser a base para quem quer visitar as cidades ao redor como Pisa, Siena, San Gimignano, que é possível fazer se você está viajando de carro ou também com transporte público. Existem também receptivos turísticos que fazem uma rota pela Toscana durante um dia visitando várias cidades. Mas infelizmente, o nosso filme virou “Sob a chuva da Toscana”. Choveu forte nos três dias estávamos na cidade. Outubro é um período chuvoso na região. Isso fez com que os três dias fossem concentrados em Florença, o que também vale muito a pena.

Aconteceu outro pequeno incidente em Florença. Estávamos hospedadas em um hostel perto da estação de trem. Depois de um dia de muita caminhada e frio, resolvi ir para a sauna relaxar um pouco. Enquanto isso, minha amiga Andreza ficou no quarto. De repente, ouvimos uma sirene estrondosa e avisos em italiano e inglês para sair imediatamente do hotel. Eu e duas moças que também estavam na sauna, saímos correndo enroladas em toalhas. Todos tinham saído correndo também e descobrimos que havia um princípio de incêndio no hostel. Procurei minha amiga e não encontrei. Depois que a situação estava controlada, voltei para o quarto e para a minha surpresa ela estava saindo do banho e não tinha ouvido nada porque estava ouvindo música na altura máxima. Fiquei espantada e disse que se o incêndio tivesse prosseguido, teríamos a notícia no jornal: “brasileira morre em incêndio em hotel de Florença”.

O tour em Florença deve começar pela Catedral de Santa Maria del Fiore, o Duomo. Seu exterior é revestido de mármore rosa, branco e verde, enquanto o interior contém pinturas e vitrais criados por alguns dos maiores artistas da Itália. Sua cúpula é um ponto de referência da cidade. A construção da catedral foi concluída em 1436. Ao lado do Duomo, ergue-se um campanário, ou torre de sinos, projetado pelo pintor e arquiteto Giotto. A torre tem mais de 80 metros de altura. Em frente ao Duomo fica o Batistério, um dos edifícios mais antigos da cidade, datado aproximadamente do século XI. O Batistério é conhecido por suas portas de bronze, que ilustram cenas religiosas. 

Por causa da família de banqueiros Médici que governou a cidade de 1434 a 1737, Florença ficou conhecida como a capital do Renascimento. Os Médici usaram seu dinheiro para apoiar políticos e artistas. Lourenço de Médici, o Magnífico, patrocinou grandes artistas, como Michelangelo, Leonardo da Vinci e Botticelli.

Hoje uma das principais obras do Michelangelo: o Davi pode ser visitada na Galleria dell’Accademia. Esse é o principal museu, mas são 50 ao todo. Devido a sua importância cultural, Florença foi uma cidade importante quando se definiu o idioma oficial italiano. Até então o siciliano seria o idioma eleito, mas devido ao destaque cultural de artistas como Dante Alighieri, decretou-se como idioma oficial o dialeto falado na cidade de Florença. 

Se bater a fome, a dica é ir ao mercado central de Florença. Achei muito parecido com o Eataly de São Paulo. É um lugar perfeito para conhecer queijos, presuntos, vinhos e para comprar quitutes, degustar o que Florença oferece de melhor. Nos arredores do mercado, tem vários ambulantes que vendem produtos como bolsas e carteiras de couro, um produto típico da região. 

Caminhando um pouco mais, chegamos à Ponte Vecchio, datada do século XIV. Ao longo dela estão instaladas lojas, sobretudo de ourives e joalheiros. Durante a Segunda Guerra Mundial, tropas alemãs ocuparam a cidade. Quando os Aliados avançaram em 1944, os alemães se retiraram, destruindo todas as pontes, exceto a Ponte Vecchio. 

Verona de Romeo e Julieta

O próximo destino da rota era um sonho antigo da minha amiga (que poderia ter morrido no hostel pouco antes de realizá-lo rs) e que estava ali pertinho de Veneza (Vou dedicar um texto específico sobre nossa parada na cidade). 

A linda e romântica cidade de Verona é onde se passa a história de amor mais dramática de todos os tempos: Romeu e Julieta! Até hoje ninguém sabe dizer se o romance de Shakespeare é uma história fictícia ou real. Na cidade, foi gravado o filme “Cartas para Julieta”. O cenário principal escolhido por Hollywood para ser a casa de Julieta virou umas das principais atrações turísticas da cidade. Lá, os visitantes colocam cadeados em forma de coração e escrevem cartinhas para Julieta. Assim como no filme, as pessoas escrevem pedindo conselhos amorosos e as cartas são respondidas por um time de voluntárias que trabalham no andar de cima da casa.

A cidade histórica de Verona foi fundada pelos romanos no século I a.C. Dessa época, no centro encontramos o anfiteatro Arena, o terceiro maior anfiteatro na Itália, depois do Coliseu e do anfiteatro de Capua. Mas ele é o mais bem preservado de todos. Durante o Império Romano, foi palco para as lutas entre gladiadores. Na Idade Média serviu para queimar 200 hereges e também foi habitação de prostitutas de 1276 a 1310. Depois de visitar, o anfiteatro, a dica é se sentar no final da tarde em um restaurante em frente ao local para comer uma massa e tomar um vinho.


Milão

Milão entrou no roteiro porque era de onde saía meu voo para retornar para o Brasil. Mas, estando na cidade, não poderia deixar de visitar o Duomo, uma das mais belas catedrais góticas do mundo! A sua construção começou em 1386 e durou mais de 400 anos. A fachada do Duomo foi finalizada “às pressas” em 8 anos por ordem de Napoleão que queria coroar-se ali rei da Itália em 1813.

Conitnue caminhando até a Galeria Vittorio Emanuele. Pensada para ser um corredor entre a Praça Duomo e Praça Scala, era usada pela burguesia milanesa para passear antes ou depois dos espetáculos do Teatro Scala. Ainda hoje é chamado “Il Salotto di Milano”, no sentido de sala de estar.

Uma das grandes vantagens de estar em Milão é a proximidade de diversos destinos turísticos interessantes, que dá para fazer em bate e volta. Um deles é o lago Como, que é considerado um dos lugares mais bonitos da Lombardia. Trata-se de um lago cristalino, com muitos tons de azul, rodeado por montanhas e florestas, que abriga dezenas de cidadezinhas, vilas históricas, igrejas centenárias, castelos medievais e casas coloridas. 

Mas eu preferi ir passar um dia nos Alpes Suíços, chique hein? Reservei um dia antes um bate-volta a bordo do trem parorâmico Bernina. O trajeto é a grande atração da viagem que começa primeiro de ônibus até a estação do Bernina em Tirano, onde embarcamos em uma viagem de tirar o fôlego até o resort de luxo de Saint Moritz. Ainda nos pés dos Alpes, a vegetação é verdinha e a cada vez que subimos o chão vai ficando cada vez mais coberto de neve. E olha que ainda era outono! Passamos o dia em Saint Moritz.

Não poderia encerrar esse texto sem falar sobre a culinária italiana, que dispensa apresentações. Sempre nas nossas andanças pelas cidades observávamos os cardápios que ficam sempre na porta dos restaurantes. A escolhe era sempre feita de acordo com as avaliações do tripadivisor. Não preciso nem dizer que as massas e os vinhos são imperdíveis. Mas vale lembrar que a comida italiana não se resume à iguaria. Cada região tem seus pratos típicos, a exemplo da bistecca alla fiorentina e o Bife à Milanesa ou os frutos do mar nas osterias de Veneza. Não deixe de provar a estrela da mesa que é o tiramissù. Se você já provou no Brasil e não gostou, saiba que lá o doce é bem mais saboroso porque eles usam mascarpone na receita. Mas o meu vício na Itália foram os gelatos de pistashe, que são bem mais saborosos do que nossos sorvetes. Ainda bem que caminhávamos muitos quilômetros todos os dias porque definitivamente não dá para fazer dieta na Itália! 

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