Muito do que hoje reconhecemos como identidade cultural do Nordeste brasileiro tem raízes profundas no Norte da Península Ibérica. A Galícia, região localizada no extremo noroeste da Espanha, guarda traços linguísticos, culturais e simbólicos que ajudam a explicar a musicalidade, a oralidade e até expressões populares ainda presentes no cotidiano nordestino.

Confira o vídeo do meu roteiro por lá:

Historicamente, a Galícia fez parte do território onde se formou o galego-português medieval — base comum do português que chegou ao Brasil durante a colonização. Enquanto o português padrão passou por um processo intenso de normatização ao longo dos séculos, algumas regiões, como o Nordeste brasileiro e a própria Galícia, preservaram elementos dessa língua antiga na fala popular.

Expressões como “oxe”, “oxente”, “mangar”, além de construções fonéticas como a troca entre B e V ou L e R, ainda hoje presentes no Nordeste, encontram paralelos diretos no galego. Não se trata de cópia ou influência recente, mas de memória linguística compartilhada, mantida viva pela oralidade.

A relação não se limita à língua. A cultura galega também revela proximidades na musicalidade, na valorização da narrativa oral, na religiosidade popular e na relação intensa com o território. Assim como no Nordeste, a palavra cantada, a tradição e o vínculo com a terra — ou com o mar — são elementos estruturantes da identidade local.

Esse vínculo se torna ainda mais evidente ao percorrer cidades como Vigo, a maior da Galícia, marcada por uma forte identidade marítima e por um cotidiano vibrante à beira do Atlântico. O mar, aliás, é um eixo central da vida galega: a região é hoje uma das maiores produtoras de frutos do mar da Europa, com uma gastronomia baseada em ingredientes frescos e preparos simples — lógica muito semelhante à culinária tradicional nordestina.

Já em Santiago de Compostela, destino final do famoso Caminho de Santiago, a espiritualidade se mistura à vida urbana. A cidade, além de centro religioso, é universitária, jovem e culturalmente ativa. Milhares de peregrinos chegam diariamente à Catedral, movidos por fé, história ou busca pessoal — um movimento que reforça a dimensão simbólica do território.

Viajar pela Galícia, portanto, é mais do que conhecer uma região espanhola. Para muitos brasileiros — especialmente nordestinos — é uma experiência de reconhecimento. O sotaque, a comida, a musicalidade e o modo de viver evocam uma familiaridade difícil de explicar, mas fácil de sentir.

Essa conexão histórica e cultural é o ponto de partida de um roteiro especial pela Galícia, apresentado em vídeo, que percorre Vigo, Santiago de Compostela e a estrada entre as duas cidades, conectando paisagem, gastronomia, história e identidade. Um convite a entender como raízes antigas atravessaram o Atlântico e seguem vivas, séculos depois, do outro lado do oceano.

 O roteiro pela Galícia já está disponível e aprofunda essa viagem pelas origens que unem Galícia e Nordeste no nosso guia da Espanha. Saiba mais em: www.passospelomudo.com.br

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